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	<title>congresso nacional &#8211; Poder em Rede</title>
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	<description>O Poder em Rede surgiu para trazer uma abordagem diferente sobre a cobertura da política no país através de uma ótica mais analítica. Acesse e veja mais!</description>
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		<title>COVID Presidencial</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2020 21:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">O que muito se temia, ou que se previa, aconteceu: Jair Bolsonaro testou positivo para a COVID-19. O anúncio foi feito pelo próprio presidente, direto dos jardins do Palácio do Alvorada, onde ele já cumpre quarentena. O episódio, no entanto, não é um epílogo nessa relação do mandatário número um do país com a maior pandemia do mundo moderno. Pelo contrário, é neste momento que o caldeirão da mistura onde as crises políticas e sanitárias se encontram, mais se aferventa.</p>
<p class="big">E se engana quem acredita que o <em>Coronavírus Presidencial</em> possa determinar vencedores e perdedores nesta queda-de-braço entre opositores e apoiadores do atual governo. O episódio acaba por gerar discursos positivos e negativos para ambos os lados e devem ganhar os debates, principalmente na virtualidade das redes sociais.</p>
<p class="big">A relação de Jair Bolsonaro e a pandemia da COVID-19 sempre foi muito tensa e épica. O presidente já se submeteu a outros três exames desde a viagem que fez aos EUA em março. Até a revelação dos resultados em 13 de maio, muitas especulações surgiram e muito esforço fora feito pelo Palácio do Planalto para evitar a divulgação dos resultados, já que a mesma era provocada por uma ação judicial junto ao STF, promovida por um jornal considerado inimigo do governo: <em>O Estado de São Paulo</em>. Os resultados deram negativo.</p>
<p class="big">De 13 de maio até a data do exame positivo do presidente da República, a COVID no Brasil saltou de 190.137 casos confirmados e 13.240 mortes, para 1.623.284 casos confirmados e 65.487 mortes. Uma escalada que a oposição do governo certamente deve tirar proveito, ilustrando com diversos episódios em que Jair Bolsonaro participou de manifestações públicas e de atos governamentais, sem observâncias das recomendações da organização Mundial de Saúde (OMS), de distanciamento social e uso de máscaras.</p>
<p class="big">Aliás, a proteção facial sempre foi muito questionada pelo presidente. Tanto que na última quinta-feira (02/07), sancionou, com vetos, a lei que disciplina o uso de máscara em espaços públicos em todo o território nacional (14.019/2020). Foram vetados, por exemplo, a obrigação de uso delas em órgãos públicos, estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos e instituições de ensino.</p>
<p class="big">Outro aspecto que deve muito ser usado contra o presidente a partir de agora são as frases pronunciadas no passado, tentando qualificar a COVID. Entre elas o famoso “<em>E daí?</em> ”, sobre a escalada de mortes da doença no país; a de que “<em>todos vamos morrer um dia</em>”, questionando as decisões de governadores pelo isolamento social; que o “<em>coronavírus está superdimensionado</em>”, ainda no início da pandemia e a mais famosa delas a de que a COVID “<em>é somente uma gripezinha</em>”, pronunciada em cadeia de rádio e televisão, acompanhada do autoelogio sobre o seu passado atlético, que não sofreria nada, caso pegasse a doença.</p>
<p class="big">Curiosamente é a partir daí que a construção do discurso de quem apóia o governo se inicia. Poderá o presidente comprovar a sua tese de que a COVID não passou de uma “gripezinha”, se passar sem maiores problemas de saúde por ela. Uma tragédia seria acontecer com ele o que aconteceu com o primeiro ministro inglês, Boris Johnson, que criticava a doença e mudou o discurso depois que contraiu a COVID e precisou de cuidados em uma UTI Médica inglesa.</p>
<p class="big">Neste momento a construção do discurso político corre em similaridade ao momento nacional de extrema vinculação entre os cenários político e sanitário no país, onde é impossível dissociar uma coisa da outra. Para o presidente, o mais importante agora é que sua saúde não sofra com a enfermidade. Tão real essa relação, que Jair Bolsonaro já avisou que continuará despachando, agora por videoconferência do Palácio do Alvorada. Mostra assim, que a COVID não alterou sua rotina e sua saúde, mais do que uma simples gripe.</p>
<p class="big">Se tudo correr bem, após o período de quarentena, o presidente se sentirá mais liberto para participar de eventos com aglomerações pelo país afora e defender suas bandeiras, iniciativas e teses pelo final do isolamento e do retorno das atividades econômicas-sociais.</p>
<p class="big">Outro fator importante neste momento é a queda de braço em favor da Hidroxicloroquina. O presidente já está fazendo uso da medicação para cuidar da sua saúde e sem dúvida deverá fazer uso da mesma nos discursos em favor dela, mesmo que questionadas por diversos setores da ciência e medicina. Com comprovação científica ou não, a cloroquina vai voltar a vitrine, tendo como laboratório de experimentação, a saúde presidencial.</p>
<p class="big">Enfim, o teste positivo do presidente é mais um momento importante na trajetória da epidemia do Coronavírus no Brasil, que deve se estender até que a mesma possa ser controlada. E novamente reavivada nos embates políticos eleitorais de 2022. Não faltarão argumentos de parte-a-parte e a pandemia e seus desdobramentos poderão, enfim, determinar quem ocupará o cargo de presidente da República.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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		<title>Un juez en el ataque</title>
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		<pubDate>Sun, 31 May 2020 02:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Un año y cuatro meses fueron suficientes para poner al presidente y al nombre más grande de la Esplanada de los Ministerios en lados opuestos. Jair Bolsonaro y Sérgio Moro intercambiaron abrazos, mimos y elogios por acusaciones abiertas en todos los medios. Una situación que elevó la temperatura, ya alta, en el caldero político del Palacio Planalto, reflejándolo en las calles y en las redes sociales.</p>
<p class="big">A diferencia del ministro Henrique Mandetta, que ha dejado el Ministerio de la Sanidad una semana antes sin críticas abiertas ni acusaciones al presidente acerca de las diferencias de posición frente a la crisis del Coronavirus, Sérgio Moro se aseguró dejar el chivo en la cristalería a causa de los posibles intentos de injerencia de Jair Bolsonaro, al cargo de la Policía Federal, por razones personales de su familia.</p>
<p class="big">Esta no es la única diferencia entre los dos episodios que desencadenaron las reestructuraciones ministeriales en el gobierno. Mandetta es un político profesional. Cultivó su gran popularidad en las ruedas de prensa diarias y en las francas conversaciones sobre las necesidades de aislamiento cuando COVID-19 solo había dejado de ser una suposición para convertirse en estadísticas y en una realidad de las ciudades brasileñas. Incluso Mandetta se convirtió en una figura más importante que Sérgio Moro, dentro de la Esplanada de los Ministerios. Él se fue para no ceder ante la presión de poner fin al aislamiento y por no querer adoptar protocolos de tratamiento con la polémica hidroxicloroquina. Después de la entrevista para el programa Fantástico de la TV Globo, &#8220;tomó su gorra&#8221;, agradeció y se sumergió.</p>
<p class="big">El exministro de Justicia prefirió otro camino. Después de haber sido el primer nombre a ser invitado y confirmado como parte del primer rango del presidente Bolsonaro y de haber sido aplaudido por el grupo de seguidores y votantes del nuevo mandatario, rompió el matrimonio lavando su ropa sucia en público. La <em>TV Globo</em>, que una vez más aprovechó el episodio, pudo transmitir de primera mano, en el <em>prime time</em> de audiencia del <em>Jornal Nacional,</em> el intercambio de mensajes entre el entonces ministro con el Presidente de la República y con otros políticos que pertenecen al círculo de apoyo presidencial, insinuándoles que había muchos otros intereses no republicanos detrás de su renuncia.</p>
<p class="big">Además de este aspecto, tenemos que considerar que Sérgio Moro, a diferencia de su compañero que recientemente ha dejado el Ministerio de la Sanidad, cuando se embarcó en el gobierno, ya tenía una legión de fans por su desempeño como juez a la frente de la Operación<em> Lava-Jato</em>, en la lucha contra corrupción y delitos de cuello blanco, que involucran a los más grandes contratistas  del país y al núcleo del poder del gobierno liderado por el Partido de los Trabajadores &#8211; PT. Juzgó y colocó detrás de los barrotes a empresarios, políticos y la mayor estrella del PT, el expresidente Lula, y consolidó el popular grupo de &#8220;lava-jatistas&#8221; a su alrededor.</p>
<p class="big">Teniendo en cuenta la campaña electoral de 2018, polarizada entre los simpatizantes de izquierda y el discurso de la llamada &#8220;Nueva Política&#8221;, lo que llevó a la lucha contra la corrupción y la no devolución del poder justamente al PT, mediante la campaña presidencial del profesor Fernando Haddad. Con Bolsonaro elegido, Moro personificó ese discurso dentro del gobierno como ministro. Como resultado de ello, los &#8221; lava-jatistas&#8221; desembarcan junto con el exjuez del gobierno, lo que representa inmediatamente una fractura importante en la base popular del presidente, que puede causar daños irrecuperables a los futuros intereses electorales de Bolsonaro en 2022. Sobre todo, pues, con su salida, el exministro deja como legado la suposición de que el gobierno actual no difiere, en la práctica, de ninguno de los anteriores.</p>
<p class="big">El síntoma más inmediato de la renuncia de Sérgio Moro, que ha causado más daño que la salida de Mandetta, fue precisamente que el presidente y la policía antimotines del gobierno federal se propusieron a descalificar en público la figura del exjuez, en un intento de cuestionar su integridad, más que nada tras la filtración de mensajes intercambiados entre personajes del poder. La militancia digital del presidente no escatimó ataques y memes a este respecto. Lo interesante en este entonces es que el gobierno y los miembros del PT se unieron para criticar la postura del exministro, ya que en el pasado, los partidarios del expresidente Lula criticaron duramente la conducta de Sérgio Moro cuando la conversación entre los expresidentes Dilma y Lula, protegida bajo el secreto de la justicia, se publicó a la época en que Lula estaba a punto de ser nombrado el Jefe de Gabinete de la Presidencia del gobierno. A pesar de ello, la imagen de Sérgio Moro creció en las encuestas. Según la consultora <em>Quaest</em>, que monitorea el alcance digital de los líderes políticos, el exministro ganó 196 mil seguidores en Instagram y otros 20 mil en Twitter tras su renuncia.</p>
<p class="big">El hecho es que, aun así, el hervor del momento posterior a la renuncia aún no ha disminuido y parece que todavía puede haber algo de vida por delante. Como juez, Sérgio Moro sabe bien que una denuncia sin prueba no puede sostenerse. Además de los mensajes intercambiados, el exministro se encargó de hacer referencia a la grabación de una reunión ministerial, en la que el presidente reclama al exministro sobre el cambio de mando en la Policía Federal en Río de Janeiro por intereses personales para protección de miembros de su familia, en vista de las investigaciones que se lleva a cabo.</p>
<p class="big">A partir de las transcripciones ya reveladas, existe la posibilidad de que la acusación sea verdadera y relevante, lo que complicaría aún más el presidente Jair Bolsonaro y lo que podría acércale a él un proceso de <em>impeachment</em>, por delito de responsabilidad. La gran lucha del presidente ahora es el cambio de tono de su versión, al afirmar que no estaba hablando de la Policía Federal, sino solo de asuntos relacionados con la seguridad de su familia en Río de Janeiro, argumentos estratégicamente elaborados por su defensa.</p>
<p class="big">Con todos los elementos expuestos, se estableció un tribunal informal, que ahora trata de juzgar con las evidencias que surgen, si el presidente Bolsonaro es culpable por intervenir en la Policía Federal en favor de intereses personales y en el que el exjuez Sérgio Moro trabaja para demostrar que la acusación es verdad. Todo esto sucede en medio de la mayor crisis de sanitaria, económica y social del país. Y como cualquier gran fallo, nuevos episodios están aún por ocurrir que pueden expandir o enfriar el potencial de las denuncias. En juego la continuidad de un gobierno, así como, el ajuste de las piezas en el tablero de las próximas elecciones presidenciales.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>Consultor principal en Strattegia Consultoria Politica, Director de la Asociación Brasileña de Consultores Políticos en DF. Y columnista y analista político de organizaciones de prensa nacionales e internacionales, corporaciones y organizaciones de prensa. </em></p>
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		<title>Um juiz no ataque</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2020 23:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Um ano e quatro meses foram o suficiente para colocar em lados opostos, o presidente e o maior nome da Esplanada dos Ministérios. Jair Bolsonaro e<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Um ano e quatro meses foram o suficiente para colocar em lados opostos, o presidente e o maior nome da Esplanada dos Ministérios. Jair Bolsonaro e Sérgio Moro trocaram os abraços, afagos e elogios, pelas acusações abertas em todos os meios. Uma situação que elevou a temperatura, já alta, no caldeirão político do Palácio do Planalto, com reflexo nas ruas e nas redes sociais.</p>
<p class="big">Ao contrário do ministro Henrique Mandetta, que deixou o Ministério da Saúde uma semana antes, sem críticas ou acusações abertas ao presidente, em virtude das diferenças de posicionamento diante da crise do Coronavírus, Sérgio Moro fez questão de sair deixando na sala do presidente um bode nervoso, por conta das possíveis tentativas de interferência de Jair Bolsonaro, no comando da Polícia Federal, por razões domésticas de sua família.</p>
<p class="big">Esta não é a única diferença entre os dois episódios que movimentaram o redesenho do <em>staff</em> ministerial de Bolsonaro. Mandetta é um político de ofício. Cultivou sua grande popularidade nas coletivas diárias e na conversa franca sobre as necessidades de isolamento quando a COVID-19 deixou de ser uma suposição, para se tornar estatística e realidade nas cidades brasileiras. Se tornou inclusive uma figura mais importante que Sérgio Moro, dentro da Esplanada dos Ministérios. Saiu por não ceder às pressões pelo fim do isolamento e por não querer adotar protocolos de tratamento com a polêmica <em>Hidroxicloroquina</em>. Depois da entrevista para o programa <em>Fantástico da TV Globo</em>, “pegou seu boné”, agradeceu e submergiu.</p>
<p class="big">O ex-ministro da Justiça preferiu outro caminho. Depois de ter sido o primeiro nome a ser chamado e confirmado a compor o primeiro escalão do presidente Bolsonaro, e ser ovacionado pelo grupo de apoiadores e eleitores do novo presidente, rompeu o casamento lavando a roupa suja abertamente. Quem mais uma vez se aproveitou do episódio foi a <em>TV Globo</em>, que pode veicular em primeira mão, no horário nobre do <em>Jornal Nacional</em>, as trocas de mensagens entre o então ministro com o presidente da República e com outros políticos do círculo de apoio presidencial, insinuando que havia muito outros interesses não republicanos, por detrás de sua demissão.</p>
<p class="big">Além desse aspecto, temos que considerar que Sérgio Moro, diferente do seu colega recém-saído da Saúde, quando embarcou no governo, já possuía uma legião de fãs por conta de sua atuação como juiz à frente da <em>Operação Lava-Jato</em>, no combate aos crimes de corrupção e colarinho branco, envolvendo as maiores empreiteiras do país e o núcleo do poder de governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores. Julgou e colocou atrás das grades empresários, políticos e a maior estrela do PT, o ex-presidente Lula e consolidou em torno de si o grupo popular dos “lava-jatistas”.</p>
<p class="big">Considerando a campanha eleitoral de 2018, polarizada entre os simpatizantes da esquerda e o discurso da tal “Nova Política”, que trazia o combate a corrupção e a não devolução do poder justamente ao PT, por meio da campanha presidencial do professor Fernando Haddad. Com Bolsonaro eleito, Moro personificou como ministro, esse discurso dentro do governo Bolsonaro. Por consequência, os mesmos “lava-jatistas” desembarcam junto com o ex-juiz do governo, representando de imediato, uma fratura importante na base popular do presidente, que pode trazer danos irrecuperáveis aos interesses eleitorais futuros de Bolsonaro, em 2022. Principalmente quando nesta saída, o ex-ministro deixa como legado, a suposição de que o atual governo não se diferencia, na prática, de nenhum dos outros que vieram antes.</p>
<p class="big">O sintoma mais imediato de que a exoneração de Sérgio Moro causou maior dano do que saída Mandetta, foi justamente o presidente e a tropa de choque de defesa do governo federal partir para a desqualificação pública da figura do ex-juiz, na tentativa de questionar a sua integridade, principalmente pelo vazamento de troca de mensagens entre personagens do poder. A militância digital do presidente não poupou ataques e memes neste sentido. Curiosamente, foi um momento em que governo e petistas se uniram para criticar a postura do ex-ministro, já que no passado, os apoiadores do ex-presidente Lula, criticaram muito a conduta de Sérgio Moro, quando vazou a conversa protegida sob sigilo de justiça, entre os ex-presidentes Dilma e Lula, quando Lula estava prestes a ser nomeado ministro da Casa Civil. Mesmo com esses ataques, a imagem de Sérgio Moro cresceu. Segundo a consultoria Quaest, que monitora o alcance digital de líderes políticos, o ex-ministro ganhou após a sua saída do governo, 196 mil seguidores no Instagram e outros 20 mil no Twitter.</p>
<p class="big">Fato porém, é que a fervura do momento pós-demissão ainda não se dissipou e parece que ainda pode ter alguma vida pela frente. Como juiz, Sérgio Moro sabe bem, que uma denúncia sem provas não tem condições de se sustentar sozinha. Além das trocas de mensagens, o ex-ministro cuidou de fazer referência a gravação de uma reunião ministerial, onde o presidente cobra o ex-ministro pela troca de comando na Polícia Federal no Rio de Janeiro, por interesses na proteção de membros de sua família, diante de investigações em curso no órgão.</p>
<p class="big">Pelas transcrições já reveladas, existe a possibilidade de a acusação ser verdadeira e relevante, o que complicaria ainda mais o presidente Jair Bolsonaro, podendo aproximá-lo de enfrentar um processo de impeachment, por crime de responsabilidade. A grande luta do presidente passou então para a promoção técnica da sua versão, em afirmar que não estava falando sobre Polícia Federal, mas somente de assuntos vinculados a segurança da sua família no Rio de Janeiro, dentro de argumentos elaborados estrategicamente por sua defesa.</p>
<p class="big">Com todos elementos postos, se estruturou um tribunal informal que agora trata de julgar com as provas que surgem, se o presidente Bolsonaro é culpado de tentar interferir na Polícia Federal por interesses próprios e onde o ex-juiz Sérgio Moro trabalha para provar que a acusação é verdadeira. Tudo isso acontecendo em meio a maior crise sanitária, econômica e social do país. E como todo grande julgamento, novos episódios estão ainda por seguir, podendo ampliar ou arrefecer o potencial das denúncias. Em jogo, a continuidade de um governo, bem como também, o ajuste nas peças no tabuleiro das próximas eleições presidenciais.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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		<title>COVID-19: Divorcio y Repato</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2020 00:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Cómo unos pocos días pueden cambiar el estado de ánimo ante una situación que ya se preveía que iba a suceder. Diez días han cambiado mucho<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>Cómo unos pocos días pueden cambiar el estado de ánimo ante una situación que ya se preveía que iba a suceder. Diez días han cambiado mucho la escena política, desde que el presidente de la República de Brasil, Jair Bolsonaro, se manifestó públicamente por el deseo de destituir a su Ministro de Sanidad, Henrique Mandetta, a fin de equilibrar la división de los bienes.</p>
<p>El 6 de mayo, cuando, por primera vez, el nuevo hombre fuerte del gobierno estaba muy cerca de ser destituido, la decisión, casi aislada del mandatario, que públicamente se difería de su ministro, principalmente sobre las medidas de aislamiento frente al coronavirus. Bolsonaro literalmente anunció que usaría el poder de su pluma para hacer valer su decisión. Fue disuadido de la destitución por el área más moderada del Palacio de Planalto, entre ellos el grupo del generalato que actualmente ocupa importante cartera en el Ejecutivo Federal, como el jefe de la Casa Civil, el general Braga Neto.</p>
<p>La advertencia principal fue que tal destitución provocaría movimientos de conflicto con otros sectores como la sociedad civil organizada, los gobernadores y los poderes legislativa y judicial. La destitución del Ministro de Sanidad sería un movimiento aislado y le acercaría al presidente el tema de <em>impeachment</em>. De esta manera, el mandatario dio un paso atrás. Lógicamente, el peso político de Mandetta aumentó sustancialmente tras el episodio, pero no ha eliminado el espectro de un futuro derrocamiento.</p>
<p>Con altos índices de aprobación y protegidos por importantes sectores de la política nacional, Mandetta decidió coquetear con el peligro, proporcionando de forma exclusiva, el domingo 12/04, una entrevista al <em>Programa Fantástico </em>del enemigo del poder central, la <em>Rede Globo</em>. No se puede decir que la conversación se haya llevado a cabo inocentemente, ya que el exministro es un político experimentado, de dos mandatos consecutivos como diputado federal de Mato Grosso do Sul, que aún tiene en su carrera la gerencia de la Secretaría de Salud de Campo Grande, capital del estado. Y como diputado, mantuvo una influencia permanente con el Frente Parlamentario de Sanidad en el Congreso Nacional.</p>
<p>De todos modos, la lectura que la clase política hizo sobre la entrevista fue que el entonces Ministro de Sanidad estaba aportando justificativas necesarias para su destitución. En este sentido, la decisión de destitución ya no era una medida individual del presidente, sino que se ha convertido en una decisión colectiva del Poder Ejecutivo, con el apoyo de los principales ministros como el de la Economía, Paulo Guedes. En las trincheras de resistencia, fue lo suficiente que miembros de la clase política lamentara su partida y elogiara su trabajo en la lucha contra el Coronavirus. Entre ellos, el presidente de la Cámara de Diputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), el presidente del Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) y el gobernador de São Paulo, João Dória (PSDB-SP).</p>
<p>El 16 de abril, el divorcio por fin ha terminado. Al compartir los bienes, Henrique Mandetta fue bien evaluado por su trabajo. Según una encuesta de <em>Datafolha</em>, el 70% de la población aprobó el trabajo del exministro frente a la lucha contra COVID-19. Ganó prominencia nacional y la fácil indicación, hasta entonces, a la categoría &#8220;presidencial&#8221;. En vista de la situación actual, hay cómodamente caminos a seguir ante la pandemia. Si no tenemos el control sobre los casos, se podrá suponer que lo ha sucedido a causa de su trabajo. Si empeoren, se podrá decir que esto se debió al cambio en la política adoptada por el gobierno federal. La mayor dificultad para continuar como candidato a la presidencia de la República de Brasil será permanecer en el centro de atención, lo que las conferencias de prensa le otorgaban diariamente a las 5 de la tarde.</p>
<p>Con respecto a los bienes adquiridos por Bolsonaro, el análisis también ha resultado positivo. El primer beneficio es que no hay más su Ministro de Sanidad cuestionando el pensamiento del mandatario contra las medidas de aislamiento social, que por sí solo era una agenda muy resistente, especialmente en vista de los muchos &#8220;paseitos&#8221; del presidente ejecutivo por las calles de la Capital Federal. Otro aspecto favorable al presidente son las cifras obtenidas por <em>Datafolha</em>. El 64% de la población piensa que Bolsonaro se equivocó al destituir Mandetta. Sin embargo, en lugar de la destitución disminuir la popularidad, la asciende de 33% a 36%, dentro del margen de error. En el peor de los escenarios, la destitución no ha bajado su calificación. Y para completar este sentimiento, el 36% piensa que la situación de lucha frente a la enfermedad empeorará, mientras que el 32% cree que la lucha contra la pandemia mejorará con la salida del ministro. Un empate técnico.</p>
<p>Con la separación hecha, ahora corresponde a los demócratas, el partido del exministro, que establezca un proyecto de apoyo a largo plazo con el fin de mantener el nombre de Mandetta no solo ahora ante de una pandemia, sino, esencialmente, cuando la termine. Bolsonaro titula para la cartera de Salud Nelson Teich como suplente, médico reconocido a nivel nacional, especialista en oncología y experto en la Salud y en la Economía, de una de las escuelas de negocios más grandes del mundo,<em> Harvard Business School.</em> Elegido a la condición de ministro con el aval de la Asociación Médica Brasileña (AMB) aunque carece de la experiencia y del carisma que Mandetta, que como político, distribuía. No obstante, por el momento, es esperar a ver. Sobre todo, si, con este divorcio, la peor parte se la quedará el pueblo brasileño.</p>
<p><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>Consultor principal en Strattegia Consultoria Política, Director de la Asociación Brasileña de Consultores Políticos en DF. Es columnista y analista político de instituciones nacionales y internacionales, corporaciones y agencias de impresión.</em></p>
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		<title>COVID-19: Divórcio e Partilha</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2020 16:11:40 +0000</pubDate>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Como alguns dias podem trocar os humores diante de uma situação já prevista para acontecer. Dez dias mudaram muito o cenário político, desde que o presidente da República, Jair Bolsonaro, se manifestou publicamente pelo desejo de demitir o então ministro da Saúde, Henrique Mandetta, a ponto de equilibrar a divisão dos bens dessa partilha.</p>
<p class="big">No dia 06 de maio, quando, pela primeira vez, o mais novo homem-forte do governo esteve muito próximo de ser demitido, a decisão era quase isolada do presidente da República, que divergia publicamente de do seu ministro, principalmente sobre as medidas de isolamento no combate ao Coronavírus. Bolsonaro chegou a literalmente anunciar que iria utilizar o poder de sua caneta para fazer valer a sua decisão. Foi demovido da dispensa pela área mais moderada do Palácio do Planalto, dentre eles o grupo do generalato que atualmente ocupa pastas importantes do Executivo Federal, como a chefia da Casa Civil, pelo general Braga Neto.</p>
<p class="big">O principal alerta era que tal demissão iria provocar movimentos de embate com outros setores a exemplo da sociedade civil organizada, governadores e os poderes Legislativo e Judiciário. A demissão do ministro da Saúde seria um movimento de isolamento e de proximidade do presidente com a temática do <em>impeachment.</em> Desta maneira, o presidente recuou. Logicamente o peso político de Mandetta subiu substancialmente após este episódio, mas sem eliminar o fantasma de uma futura demissão.</p>
<p class="big">Com os índices de aprovação em alta e protegido por setores importantes da política nacional, Mandetta decidiu flertar com o perigo, ao fornecer em caráter de exclusividade, no domingo 12/04, a entrevista ao Programa <em>Fantástico</em> da inimiga do poder central, a Rede Globo. Não se pode dizer que essa conversa fora feita de maneira inocente, já que o ex-ministro é um político experiente, de dois mandatos consecutivos como deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, que ainda tem o seu currículo uma gestão como Secretário de Saúde de Campo Grande, capital do estado. E como deputado, manteve permanente influência junto a Frente Parlamentar da Saúde, no Congresso Nacional.</p>
<p class="big">Enfim, a leitura que a classe política fez da entrevista era que o então ministro da Saúde estava fornecendo as justificativas necessárias para ser mandado embora. Neste sentido, a decisão de dispensa deixou de ser uma medida na pessoa física do presidente e passou a ser uma deliberação coletiva do Poder Executivo, como o apoio dos principais ministros, dentre eles o da Economia, Paulo Guedes. Nas trincheiras de resistência, bastou aos integrantes da classe política apenas lamentar a saída e enaltecer o trabalho de Mandetta no combate ao Coronavírus. Dentre eles, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB-SP).</p>
<p class="big">No dia 16 de abril o divórcio finalmente se consumou. Na partilha dos bens, Henrique Mandetta saiu bem avaliado pelo seu trabalho. Segundo pesquisa Datafolha, 70% da população aprovaram o trabalho do ex-ministro à frente do combate ao COVID-19. Ganhou projeção nacional e a fácil indicação do momento, na categoria de “presidenciável”. Diante da situação atual, tem confortavelmente caminhos a apontar diante da pandemia. Se os casos refluírem em entrarem em controle, pode assumir que isso aconteceu por conta do seu trabalho. Caso piorem, pode afirmar que isso ocorreu por conta da mudança na política de combate adotada pelo governo federal. A maior dificuldade para continuar na condição de candidato à presidente da República, vai ser se manter nos holofotes, que as coletivas de imprensa lhe concediam diariamente às 17h.</p>
<p class="big">Com relação ao espólio assumido por Bolsonaro, a análise é que também acabou sendo positivo. O primeiro ganho é não ter mais o seu ministro da Saúde questionando permanentemente o pensamento contrário ao isolamento social por parte do presidente, o que por si só era uma pauta bastante robusta, principalmente diante das diversas “saidinhas” do chefe do executivo pelas ruas da capital federal. Outro aspecto favorável ao presidente são os próprios números aferidos pelo Datafolha. 64% da população acha que Bolsonaro errou ao demitir o Mandetta. Porém, ao invés da demissão acompanhar um grau de perda de popularidade, o presidente acabou tendo uma oscilação positiva, de 33% para 36%, dentro da margem de erro. No pior dos cenários a demissão não lhe causou nenhuma queda na avaliação. E para completar esse sentimento, 36% acham que a situação do combate à doença vai piorar, enquanto 32% acreditam que o combate a pandemia vai melhorar com a saída do ministro. Um empate técnico.</p>
<p class="big">Com a separação feita cabe agora ao Democratas, partido do ex-ministro, estabelecer um projeto de sustentação de longo prazo para que se mantenha o nome de Mandetta em evidência, não só neste momento de pandemia, mas principalmente após a mesma. Já Bolsonaro nomeou um substituto para a pasta, Nelson Teich, que é médico de reconhecimento nacional, especialista em oncologia e com formação tanto na área de Saúde como da Economia, por uma das maiores escolas de negócios do mundo, A <em>Harvard Business School</em>. Alçado a condição de ministro com o aval da Associação Médica Brasileira (AMB). Lhe falta a cancha e o carisma que Mandetta, como político, distribuía. Mas no momento, é esperar para ver. Principalmente para que deste divórcio, a pior parte não fique com a população brasileira.</p>
<p><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais.</em></p>
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		<title>Carnaval: Política na Avenida</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Mar 2019 01:51:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">A festa de momo chegou ao fim. Pelo menos na maioria das cidades brasileiras. A festança é comumente associada ao divisor entre diversão e trabalho, onde tudo no Brasil só começa a funcionar depois do carnaval, aliás ao meio-dia da Quarta-Feira de Cinzas. O único dia do ano em que mistura meio período de folga, como meio período de trabalho.</p>
<p class="big">Outro raciocínio comumente associado a data é que o “<em>Carnaval é o Ópio do Povo</em>”, onde a população brasileira anestesiada, se esquece se de seus problemas para cair na folia. Pode até ser que o brasileiro deixe em suspensão seus boletos, e outras obrigações para sair na avenida, mas não deixa de levar consigo o seu protesto.</p>
<p class="big">Neste quesito, há muito tempo a política é ingrediente da folia. Já não é deste carnaval que brasileiros estampam sua indignação através das fantasias e das músicas que embalam os blocos. Começou na irreverência individual de foliões nas ruas e cada vez mais invade as grandes avenidas que servem de vitrine para mostrar o maior carnaval do mundo para o mundo.</p>
<p class="big">De Fernando Henrique para cá, todos os presidentes já viraram máscara e fantasia de carnaval. Antes dele, o então presidente Itamar Franco, em 1994, concentrou todas as atenções dessa ebulição que une política e carnaval, quando a sua companhia, a modelo Lilian Ramos, foi fotografada com ele em um dos camarotes da Marquês de Sapucaí, sem calcinha. Uma imagem que rendeu muitas críticas, discursos e até pedidos de impeachment.</p>
<p class="big">E é justamente nos sambódromos da Marques de Sapucaí e do Anhembi, que uma parte importante dessa transformação está acontecendo. Os problemas gerados pela má gestão pública sempre foram assuntos de enredo. Falar sobre miséria, fome, educação, violência sempre foi hábito nos desfiles das escolas. De uns anos para cá, a crítica tem sido mais direta em associar tais mazelas aos seus responsáveis.</p>
<p class="big">Quem não se lembra da fantasia do vampiro inspirado no então presidente Michel Temer, na escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti, em 2018? A mesma escola que este ano fantasiou uma ala inteira com foliões vestidos de coxinha fazendo o gesto simbolo da arma de Bolsonaro; e que também trouxe o personagem do Bode Ioiô, eleito vereador em Fortaleza – enredo da escola &#8211; com a faixa presidencial? Já a Beija-Flor, que completou neste ano 70 carnavais, contou em seu enredo “<em>Os filhos abandonados da pátria que os pariu</em>” uma sequência de referências a política e corrupção, inclusive com um dos carros alegóricos mostrando o Senado da República infestada por ratos.</p>
<p class="big">A Mangueira se sagrou vencedora cantando na avenida, um enredo que se propunha a contar uma nova história do país recheado de mensagens engajadas, como por exemplo, a ala em alusão a vereadora morta Marielle Franco, assassinada há mais de um ano, em um crime ainda sem desfecho. A vereadora também foi lembrada no desfile da escola paulistana Vai-Vai.</p>
<p class="big">Assim, a cada carnaval, a população vai elegendo e renovando suas alegorias e mandando seus recados aos governantes. Seja na avenida ou nos blocos a criatividade e a crítica do brasileiro é exposta. E assim surgem diversos personagens em uma infindável lista que já teve o Japonês da Federal, o Lula Presidiário; Dilma Bolada, Gilmar Mendes Activia; o Fora Temer e até o presidente norte-americano Donald Trump.</p>
<p class="big">Este ano não foi diferente e o presidente recém-eleito, Jair Bolsonaro acabou como alvo natural de muitas críticas animadas, com gente se fantasiando de Laranjal, Reforma da Previdência, Bloco do Queiroz, Meninos de Azul e Meninas de Rosa, entre outras. Inclusive o seu boneco gigante que desfilou pelas ladeiras de Olinda foi vaiado e serviu de alvo para latas e garrafas. Críticas que o presidente talvez não tenha aceitado bem, ao publicar na sua conta do Twitter um vídeo com cenas obscenas, associando o carnaval à plena libertinagem. O que gerou mais críticas ao presidente, nos últimos dias.</p>
<p class="big">De fato, uma luta inglória, que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, já vive há dois carnavais. Contrário à festividade, por conta do seu alinhamento religioso, é alvo de críticas tanto nas ruas e nos blocos, como na maior avenida do carnaval brasileiro. Já foi época em que presidentes e políticos, frequentavam a Sapucaí para testar sua popularidade junto à população. Hoje, apensas alimentam o imaginário da população e dos carnavalescos.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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		<title>Que comece o jogo</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Feb 2019 16:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Depois de 50 dias, começa, de fato, a gestão Bolsonaro. Ao longo desse período tivemos a posse do presidente, dos novos deputados e senadores, as eleições das mesas diretoras das duas casas, a cirurgia para retirada da bolsa de colostomia do presidente e nos últimos dias, uma crise criada e fermentada dentro do próprio governo, que culminou com a demissão de um dos ministros fortes do Planalto, o ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno.</p>
<p class="big">Todos estes aspectos serviram para colocar no tabuleiro as peças que vão participar do jogo do poder a partir de agora. Só faltava um objetivo para movimentar todos os participantes e dar sentido a este jogo, que finalmente chega às mãos dos parlamentares, levado pelo próprio presidente Bolsonaro: o projeto que pretende reformar a Previdência dos brasileiros.</p>
<p class="big">Até aqui, tudo de certa forma, pode ser permitido, mas não necessariamente esquecido. Todos os atos, nomeações, afagos, ataques e disputas serviram para alinhar as trincheiras, que necessariamente não são preenchidas somente por peças pretas e brancas, oposição e situação. No campo das disputas políticas existem diversos elementos cinzas, que tendem a ficar ora mais brancos ou pretos, conforme se movimenta o governo, o mercado, a sociedade civil organizada e a própria população.</p>
<p class="big">Pelo logo trâmite que envolve a Reforma da Previdência, que vai exigir alterar itens constitucionais, com votações em comissões especiais, nas comissões de Constituição e Justiça e nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, como o objetivo de obter quórum qualificado de 3/5 em dois turnos, estima-se que essa batalha consuma de seis a oito meses de conversas e negociações, com os parlamentares que vão analisar, alterar, aprovar ou rejeitar itens da proposta.</p>
<p class="big">No sentido político de obter êxito nesta primeira experiência o presidente Bolsonaro optou por apresentar uma proposta ampla, mas mais moderada do que desejava a Ala Econômica, chefiada por Paulo Guedes. Já que uma vitória ou derrota pode sinalizar para o ambiente político que o atual presidente vai encontrar para os próximos quatro anos.</p>
<p class="big">A seu favor, o presidente conta com a lua-de-mel que qualquer mandatário tem no começo de governo, o apoio dos governadores que também estão quebrados e comprometidos financeiramente nos estados com as suas próprias previdências, bem como as tentativas das edições anteriores de se reformar a Previdência, onde ficou claro que faltou por parte dos governos, explicar que a reforma serve para cortar privilégios e reduzir o déficit do governo, para ter mais recursos para investir em projetos que gerem empregos e desenvolvimento.</p>
<p class="big">Contra a Reforma, tem uma oposição estruturada de parlamentares que até o presente momento não entrou em campo, as forças laborais que representam as classes principalmente de servidores que podem perder mais com a mudanças nas regras da Previdência e a desconfiança de boa parte dos deputados com relação a força e coesão da base de sustentação do governo no Congresso Nacional.</p>
<p class="big">O PSL, partido do presidente, que elegeu a segunda maior bancada com 55 deputados, não é suficiente para, sozinha, bancar as mudanças. Sem contar que boa parte dos parlamentares possuem muito mais vontade e discurso do que articulação política. O principal articulador do partido – o então ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno – foi exonerado no começo da semana, em virtude de um embate direto com o presidente e sua família, após denúncias de uso de laranjas em campanhas do próprio partido e vazamento de conversas particulares com o presidente Bolsonaro.</p>
<p class="big">Inclusive isso é uma das grandes queixas feitas hoje no parlamento, de que o governo não possui interlocutores com capacidade de intermediação junto aos partidos políticos, que de fato, encaminham as votações nas duas casas. A decisão anterior do Palácio do Planalto de negociar direto com as frentes parlamentares temáticas, em detrimento dos partidos, agora encontra a resistência das bancadas, que querem discutir participação e espaços dento do novo governo. Uma movimentação que pode aproximar a gestão Bolsonaro, do chamado “toma-lá-dá-cá”.</p>
<p class="big">A sinalização deste descontentamento pode ser vista na derrubada do decreto presidencial que alterava a Lei de Acesso a Informação no que tange a mudança de como os documentos são declarados como sigilosos. Ampla maioria dos deputados &#8211; 367 por 57 &#8211; decidiu colocar em pauta o decreto, que foi derrubado em votação simbólica.</p>
<p class="big">E obviamente ainda existem algumas rusgas a ser superada como os descontentamentos, principalmente no Senado Federal, ainda com relação a eleição do presidente Davi Alcolumbre (DEM), que teve participação direta do Ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, desagradando parte do MDB, a maior bancada de senadores, com 13 integrantes.</p>
<p class="big">Enfim, os desafios são grandes, vão consumir muito tempo e exigir da Administração Central correção de rumos e muita capacidade de articulação para movimentarem as peças deste tabuleiro a seu favor. E que comece o jogo!</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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		<title>O que pensa o novo governo</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jan 2019 22:12:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Assumiu hoje o 38º Presidente do Brasil. Jair Messias Bolsonaro foi empossado pelo Congresso Nacional e recebeu das mãos do agora ex-presidente, Michel Temer, a Faixa<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Assumiu hoje o 38º Presidente do Brasil. Jair Messias Bolsonaro foi empossado pelo Congresso Nacional e recebeu das mãos do agora ex-presidente, Michel Temer, a Faixa Presidencial. Por mais que pareçam simples questões protocolares, estes atos demonstram que a nossa democracia e as instituições que a representam, continuam sólidas e operacionais. O temor que muitos, principalmente nas redes sociais, com relação a este assunto, se mostraram na verdade o desejo de se criar, irresponsavelmente, um ambiente de medo na população.</p>
<p class="big">Bolsonaro assume a presidência do país dentro da ordem e dos ritos democráticos e por meio do voto do povo brasileiro. Hoje ele inicia um novo ciclo para o Brasil, estabelecendo pautas próprias e coerentes com as propostas de campanhas. Já que o contrato das promessas do pleito eleitoral precisa ser confirmado com a posse.<br />
Nos dois discursos feitos pelo presidente no dia de hoje – um no Plenário da Câmara dos Deputados e outro no Parlatório do Palácio do Planalto – Bolsonaro firmou o compromisso com esse contrato. Temas como o direito à propriedade, direito à defesa pessoal, escola despartidarizada, um país livre das amarras ideológicas e até o fim do politicamente correto, estiveram presentes.</p>
<p class="big">Podemos esperar do novo governo um alinhamento mais neoliberal, com uma menor presença do Estado na vida de quem produz. Principalmente no discurso feito no Congresso Nacional, ficou evidenciado a necessidade de desburocratização, desregulamentação, de uma economia baseada no livre mercado e com menor peso tributário no custo Brasil.</p>
<p class="big">Assim devemos ter um Brasil mais desenvolvimentista e menos social que o ciclo criado por quatro gestões do Partido dos Trabalhadores na administração central do país. Um exemplo é que nos 40 minutos do discurso de posse do segundo mandato da ex-presidente Dilma Roussef, a tônica eram os programas de inclusão como o Bolsa Família, Mapa da Fome e o lema “Pátria Educadora”. Uma pauta de inclusão social que o atual presidente sequer abordou.</p>
<p>Aliás o contraponto aos partidos de esquerda foi outro aspecto muito evidenciado pelo novo presidente. Normalmente convivemos com partidos fazendo oposição a governos. Mas dentro deste ciclo, teremos um governo fazendo oposição a um partido. Principalmente ao Partido dos Trabalhadores. O resgate do bordão “a nossa bandeira nunca será vermelha” encerrou o discurso de posse do presidente e é a melhor referência do que o governo Bolsonaro deverá manter no próximo ciclo de quatro anos. Até porque foi a principal plataforma de campanha que o elegeu presidente: o combate ao petismo. E foram várias outras as citações relativas a isso, como a irresponsabilidade administrativa, as relações exteriores baseadas em ideologia, a corrupção e a necessidade do atual governo em reestruturar a pátria.</p>
<p class="big">A única nota que difere os dois discursos, é que na fala proferida à Nação de dentro do parlamento, o presidente evitou falar sobre as articulações políticas. Como deputado de sete mandatos na Câmara dos Deputados, Bolsonaro se esforçou em criar um laço de proximidade com a classe política, dizendo que estava “casando com os parlamentares” e que estava precisando destes políticos para aprovar as reformas estruturantes. Mesmo que não tenha citado que reformas seriam estas.</p>
<p class="big">Já no Parlatório, quando o presidente discursa ao povo, Bolsonaro utilizou de boa parte do seu tempo de fala para afirmar que seu governo que foi construído por indicações técnicas, sem alianças partidárias e sem as trocas de espaço por poder. Ou seja, aquilo que ele omitiu diante dos deputados e senadores, foi ressaltado em alto e bom som para a plateia que estava na Praça dos Três Poderes.</p>
<p class="big">Obviamente o novo presidente estava diante de um Congresso Nacional antigo, já que os parlamentares da nova legislatura só assumem no dia 1º de fevereiro. E aí um enorme desafio: poder encaminhar as proposições do governo como as tais reformas estruturantes, que na maioria dos casos, por tramitarem por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) precisam ser aprovadas após um longo rito de debate e com quórum qualificado de 2/3 dos parlamentares, tanto no plenário da Câmara, como no Senado.</p>
<p class="big">No dia de hoje conhecemos como pensa o novo governo, por meio dos discursos feitos pelo presidente empossado. A partir de agora temos que acompanhar a prática destes pronunciamentos, por meio da capacidade deste governo atuar politicamente, principalmente na articulação junto ao Congresso Nacional, onde os encaminhamentos são feitos justamente pelas legendas partidárias. A seu favor, Bolsonaro terá a capacidade de ampliar sua base de apoio por meio das mudanças de partido por parte dos políticos e pela sempre presente lua-de-mel que todo governante goza no início de mandato. Tanto com o povo, como o mercado e com a própria classe política.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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		<title>A difícil danças das cadeiras</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2015 09:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no DF]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Vejo, Brasil afora, diversos chefes de executivos realizando mudanças no primeiro escalão de seus governos. Os exemplos são muitos: seja nas prefeituras de Garanhuns/PE ou de São Paulo/SP; nos governos de Santa Catarina e do Distrito Federal, ou mesmo no Palácio do Planalto, que recentemente recompôs seu time de ministros. </p>
<p class="big">Em jogo, a tentativa de reorganizar a base política de apoio, principalmente diante das necessidades enfrentadas junto às casas legislativas. A questão é que reformar ministérios ou secretarias é tão arriscado quanto trocar a roda de um carro em pleno movimento. </p>
<p class="big">Quando o prefeito, governador ou o presidente estão recém-eleitos, dispõe do tempo da transição para realizarem as articulações com as forças que o elegeram e com os partidos que irão compor sua sustentação para o decurso do mandato, a partir do momento da posse. Ou seja, dispõem de todo o prazo para projetar e desenvolver sua melhor máquina de governabilidade, escolhendo as pessoas certas para fazê-la funcionar. Uma realidade até mesmo para aqueles que disputam a reeleição e podem utilizar este mesmo prazo, para revitalização dos seus quadros, diante de um novo período de governo. </p>
<p class="big">Depois que esta máquina é posta para rodar, as implicações com relação a mudanças no staff passam a ter um outro critério de percepção por parte da sociedade e dos formadores de opinião. Principalmente quando as alterações são extensas e envoltas de muita expectativa.</p>
<p class="big">Vejamos por exemplo a reforma ministerial feita pela presidente Dilma Rousseff. Em meio a graves crises econômica e política, que podem abrir caminho para um provável pedido de impeachment, Dilma anunciou no último dia 02 de outubro a composição do seu novo ministério. O desfecho aconteceu com nove dias de atraso e com redução das pastas em menor número do que esperado.</p>
<p class="big">O novo rearranjo na Esplanada dos Ministérios começou a ser tratada com maior propriedade no dia 07 de agosto, quando o governo federal sofreu outra derrota no plenário da Câmara dos Deputados, por conta da aprovação do reajuste salarial para os advogados públicos e outras carreiras. Dois dias depois, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Bez, foi a público para tentar desmentir o que todos os partidos já vazavam em off pela imprensa há mais de 48 horas.</p>
<p class="big">Em se tratando de crise política e a tentativa de agradar uma base maior de partidos que votem a favor dos projetos de interesse do governo federal, a dificuldade da equação é fazer mudanças e cortar pastas em um ambiente em que quem está não quer sair e quem está de fora quer entrar.  Tanto que a data do anúncio, incialmente agendada para acontecer dia 24 de setembro, às vésperas da viagem para a Conferência da ONU, só ocorreu nove dias depois e com a redução de somente oito ministérios, diante de uma expectativa inicial entre 10 e 12 pastas. </p>
<p class="big">O pior foi, após a recomposição do primeiro escalão, o governo ter que amargar nova derrota no parlamento, por não conseguir quórum para votar os vetos presidenciais. Além disso, o PMDB – maior agraciado com a reforma – perdeu a hegemonia na Câmara dos Deputados, após ter sido isolado pelos partidos PP, PTB, PSC e PHC, que criaram um novo bloco com 82 deputados, em represália por não terem sido contemplados na mudança feita pelo Planalto.</p>
<p class="big">A reforma mais recente realizada por um governo aconteceu na última quinta-feira, em plena capital do país. Com problemas similares nas finanças e de baixo apoio no Câmara Legislativa, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, anunciou a composição do seu novo secretariado.</p>
<p class="big">O resultado, diante do quadro inicial em que se deu a expectativa da reforma, foi muito tímido. Primeiro que os cortes anunciados no número de secretarias, focado no discurso da redução de despesas por parte do governo, acabou se tornando mais um truque do que uma fonte de economia. Isso porque, de fato, as secretarias não foram extintas, mais fundidas ou incorporadas a outras pastas.</p>
<p class="big">O efeito imediato dessa medida é que o Palácio do Buriti acabou instituindo no DF, secretários de diversas patentes. Os subsecretários, que eram secretários de pastas que foram incorporadas por outras; os secretários, que continuam a comandar pastas especialistas e os super-secretários, que governam as secretarias que passaram a aglutinar outras áreas de governo. </p>
<p class="big">Outra questão relevante na reforma realizada pelo GDF, é que o governador precisou varrer para debaixo do tapete, o discurso da “nova política”. Sem nenhum parlamentar eleito e com problemas de interlocução com a Câmara Legislativa, Rollemberg precisou negociar os cargos por troca de apoio junto aos partidos políticos e sofreu a pressão para atender aos interesses da base de apoio. </p>
<p class="big">Ouviu do presidente do PSD no DF, deputado federal Rogério Rosso, que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico não deveria ser extinta ou fundida e que ela continuaria no comando do partido. Acabou, no final, se fortalecendo com a incorporação da pasta de Turismo. Ouviu do deputado distrital do PDT, Joe Valle, a pressão por não extinguir ou fundir a secretaria de Agricultura. Além de ter o seu pleito atendido, foi prestigiado com o cargo de super-secretário da pasta de Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.</p>
<p class="big">Entre os que ficaram descontentes, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Júlio César (PRB), reclamou publicamente que a reforma não atendeu aos interesses dos partidos que apoiam o governo nas votações em plenário. Porém, a maior crítica veio do próprio partido do governador, o PSB, que teve sua representação diminuída no primeiro escalão do governo. Fato que levou ao presidente da legenda, Marcos Dantas, a se licenciar do posto. Dantas assumiu a Secretaria de Mobilidade do DF. </p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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