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	<description>O Poder em Rede surgiu para trazer uma abordagem diferente sobre a cobertura da política no país através de uma ótica mais analítica. Acesse e veja mais!</description>
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		<title>Carnaval: Política na Avenida</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Mar 2019 01:51:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">A festa de momo chegou ao fim. Pelo menos na maioria das cidades brasileiras. A festança é comumente associada ao divisor entre diversão e trabalho, onde tudo no Brasil só começa a funcionar depois do carnaval, aliás ao meio-dia da Quarta-Feira de Cinzas. O único dia do ano em que mistura meio período de folga, como meio período de trabalho.</p>
<p class="big">Outro raciocínio comumente associado a data é que o “<em>Carnaval é o Ópio do Povo</em>”, onde a população brasileira anestesiada, se esquece se de seus problemas para cair na folia. Pode até ser que o brasileiro deixe em suspensão seus boletos, e outras obrigações para sair na avenida, mas não deixa de levar consigo o seu protesto.</p>
<p class="big">Neste quesito, há muito tempo a política é ingrediente da folia. Já não é deste carnaval que brasileiros estampam sua indignação através das fantasias e das músicas que embalam os blocos. Começou na irreverência individual de foliões nas ruas e cada vez mais invade as grandes avenidas que servem de vitrine para mostrar o maior carnaval do mundo para o mundo.</p>
<p class="big">De Fernando Henrique para cá, todos os presidentes já viraram máscara e fantasia de carnaval. Antes dele, o então presidente Itamar Franco, em 1994, concentrou todas as atenções dessa ebulição que une política e carnaval, quando a sua companhia, a modelo Lilian Ramos, foi fotografada com ele em um dos camarotes da Marquês de Sapucaí, sem calcinha. Uma imagem que rendeu muitas críticas, discursos e até pedidos de impeachment.</p>
<p class="big">E é justamente nos sambódromos da Marques de Sapucaí e do Anhembi, que uma parte importante dessa transformação está acontecendo. Os problemas gerados pela má gestão pública sempre foram assuntos de enredo. Falar sobre miséria, fome, educação, violência sempre foi hábito nos desfiles das escolas. De uns anos para cá, a crítica tem sido mais direta em associar tais mazelas aos seus responsáveis.</p>
<p class="big">Quem não se lembra da fantasia do vampiro inspirado no então presidente Michel Temer, na escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti, em 2018? A mesma escola que este ano fantasiou uma ala inteira com foliões vestidos de coxinha fazendo o gesto simbolo da arma de Bolsonaro; e que também trouxe o personagem do Bode Ioiô, eleito vereador em Fortaleza – enredo da escola &#8211; com a faixa presidencial? Já a Beija-Flor, que completou neste ano 70 carnavais, contou em seu enredo “<em>Os filhos abandonados da pátria que os pariu</em>” uma sequência de referências a política e corrupção, inclusive com um dos carros alegóricos mostrando o Senado da República infestada por ratos.</p>
<p class="big">A Mangueira se sagrou vencedora cantando na avenida, um enredo que se propunha a contar uma nova história do país recheado de mensagens engajadas, como por exemplo, a ala em alusão a vereadora morta Marielle Franco, assassinada há mais de um ano, em um crime ainda sem desfecho. A vereadora também foi lembrada no desfile da escola paulistana Vai-Vai.</p>
<p class="big">Assim, a cada carnaval, a população vai elegendo e renovando suas alegorias e mandando seus recados aos governantes. Seja na avenida ou nos blocos a criatividade e a crítica do brasileiro é exposta. E assim surgem diversos personagens em uma infindável lista que já teve o Japonês da Federal, o Lula Presidiário; Dilma Bolada, Gilmar Mendes Activia; o Fora Temer e até o presidente norte-americano Donald Trump.</p>
<p class="big">Este ano não foi diferente e o presidente recém-eleito, Jair Bolsonaro acabou como alvo natural de muitas críticas animadas, com gente se fantasiando de Laranjal, Reforma da Previdência, Bloco do Queiroz, Meninos de Azul e Meninas de Rosa, entre outras. Inclusive o seu boneco gigante que desfilou pelas ladeiras de Olinda foi vaiado e serviu de alvo para latas e garrafas. Críticas que o presidente talvez não tenha aceitado bem, ao publicar na sua conta do Twitter um vídeo com cenas obscenas, associando o carnaval à plena libertinagem. O que gerou mais críticas ao presidente, nos últimos dias.</p>
<p class="big">De fato, uma luta inglória, que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, já vive há dois carnavais. Contrário à festividade, por conta do seu alinhamento religioso, é alvo de críticas tanto nas ruas e nos blocos, como na maior avenida do carnaval brasileiro. Já foi época em que presidentes e políticos, frequentavam a Sapucaí para testar sua popularidade junto à população. Hoje, apensas alimentam o imaginário da população e dos carnavalescos.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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		<title>Que comece o jogo</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Feb 2019 16:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Depois de 50 dias, começa, de fato, a gestão Bolsonaro. Ao longo desse período tivemos a posse do presidente, dos novos deputados e senadores, as eleições das mesas diretoras das duas casas, a cirurgia para retirada da bolsa de colostomia do presidente e nos últimos dias, uma crise criada e fermentada dentro do próprio governo, que culminou com a demissão de um dos ministros fortes do Planalto, o ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno.</p>
<p class="big">Todos estes aspectos serviram para colocar no tabuleiro as peças que vão participar do jogo do poder a partir de agora. Só faltava um objetivo para movimentar todos os participantes e dar sentido a este jogo, que finalmente chega às mãos dos parlamentares, levado pelo próprio presidente Bolsonaro: o projeto que pretende reformar a Previdência dos brasileiros.</p>
<p class="big">Até aqui, tudo de certa forma, pode ser permitido, mas não necessariamente esquecido. Todos os atos, nomeações, afagos, ataques e disputas serviram para alinhar as trincheiras, que necessariamente não são preenchidas somente por peças pretas e brancas, oposição e situação. No campo das disputas políticas existem diversos elementos cinzas, que tendem a ficar ora mais brancos ou pretos, conforme se movimenta o governo, o mercado, a sociedade civil organizada e a própria população.</p>
<p class="big">Pelo logo trâmite que envolve a Reforma da Previdência, que vai exigir alterar itens constitucionais, com votações em comissões especiais, nas comissões de Constituição e Justiça e nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, como o objetivo de obter quórum qualificado de 3/5 em dois turnos, estima-se que essa batalha consuma de seis a oito meses de conversas e negociações, com os parlamentares que vão analisar, alterar, aprovar ou rejeitar itens da proposta.</p>
<p class="big">No sentido político de obter êxito nesta primeira experiência o presidente Bolsonaro optou por apresentar uma proposta ampla, mas mais moderada do que desejava a Ala Econômica, chefiada por Paulo Guedes. Já que uma vitória ou derrota pode sinalizar para o ambiente político que o atual presidente vai encontrar para os próximos quatro anos.</p>
<p class="big">A seu favor, o presidente conta com a lua-de-mel que qualquer mandatário tem no começo de governo, o apoio dos governadores que também estão quebrados e comprometidos financeiramente nos estados com as suas próprias previdências, bem como as tentativas das edições anteriores de se reformar a Previdência, onde ficou claro que faltou por parte dos governos, explicar que a reforma serve para cortar privilégios e reduzir o déficit do governo, para ter mais recursos para investir em projetos que gerem empregos e desenvolvimento.</p>
<p class="big">Contra a Reforma, tem uma oposição estruturada de parlamentares que até o presente momento não entrou em campo, as forças laborais que representam as classes principalmente de servidores que podem perder mais com a mudanças nas regras da Previdência e a desconfiança de boa parte dos deputados com relação a força e coesão da base de sustentação do governo no Congresso Nacional.</p>
<p class="big">O PSL, partido do presidente, que elegeu a segunda maior bancada com 55 deputados, não é suficiente para, sozinha, bancar as mudanças. Sem contar que boa parte dos parlamentares possuem muito mais vontade e discurso do que articulação política. O principal articulador do partido – o então ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno – foi exonerado no começo da semana, em virtude de um embate direto com o presidente e sua família, após denúncias de uso de laranjas em campanhas do próprio partido e vazamento de conversas particulares com o presidente Bolsonaro.</p>
<p class="big">Inclusive isso é uma das grandes queixas feitas hoje no parlamento, de que o governo não possui interlocutores com capacidade de intermediação junto aos partidos políticos, que de fato, encaminham as votações nas duas casas. A decisão anterior do Palácio do Planalto de negociar direto com as frentes parlamentares temáticas, em detrimento dos partidos, agora encontra a resistência das bancadas, que querem discutir participação e espaços dento do novo governo. Uma movimentação que pode aproximar a gestão Bolsonaro, do chamado “toma-lá-dá-cá”.</p>
<p class="big">A sinalização deste descontentamento pode ser vista na derrubada do decreto presidencial que alterava a Lei de Acesso a Informação no que tange a mudança de como os documentos são declarados como sigilosos. Ampla maioria dos deputados &#8211; 367 por 57 &#8211; decidiu colocar em pauta o decreto, que foi derrubado em votação simbólica.</p>
<p class="big">E obviamente ainda existem algumas rusgas a ser superada como os descontentamentos, principalmente no Senado Federal, ainda com relação a eleição do presidente Davi Alcolumbre (DEM), que teve participação direta do Ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, desagradando parte do MDB, a maior bancada de senadores, com 13 integrantes.</p>
<p class="big">Enfim, os desafios são grandes, vão consumir muito tempo e exigir da Administração Central correção de rumos e muita capacidade de articulação para movimentarem as peças deste tabuleiro a seu favor. E que comece o jogo!</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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