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		<title>O que pensa o novo governo</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jan 2019 22:12:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Assumiu hoje o 38º Presidente do Brasil. Jair Messias Bolsonaro foi empossado pelo Congresso Nacional e recebeu das mãos do agora ex-presidente, Michel Temer, a Faixa Presidencial. Por mais que pareçam simples questões protocolares, estes atos demonstram que a nossa democracia e as instituições que a representam, continuam sólidas e operacionais. O temor que muitos, principalmente nas redes sociais, com relação a este assunto, se mostraram na verdade o desejo de se criar, irresponsavelmente, um ambiente de medo na população.</p>
<p class="big">Bolsonaro assume a presidência do país dentro da ordem e dos ritos democráticos e por meio do voto do povo brasileiro. Hoje ele inicia um novo ciclo para o Brasil, estabelecendo pautas próprias e coerentes com as propostas de campanhas. Já que o contrato das promessas do pleito eleitoral precisa ser confirmado com a posse.<br />
Nos dois discursos feitos pelo presidente no dia de hoje – um no Plenário da Câmara dos Deputados e outro no Parlatório do Palácio do Planalto – Bolsonaro firmou o compromisso com esse contrato. Temas como o direito à propriedade, direito à defesa pessoal, escola despartidarizada, um país livre das amarras ideológicas e até o fim do politicamente correto, estiveram presentes.</p>
<p class="big">Podemos esperar do novo governo um alinhamento mais neoliberal, com uma menor presença do Estado na vida de quem produz. Principalmente no discurso feito no Congresso Nacional, ficou evidenciado a necessidade de desburocratização, desregulamentação, de uma economia baseada no livre mercado e com menor peso tributário no custo Brasil.</p>
<p class="big">Assim devemos ter um Brasil mais desenvolvimentista e menos social que o ciclo criado por quatro gestões do Partido dos Trabalhadores na administração central do país. Um exemplo é que nos 40 minutos do discurso de posse do segundo mandato da ex-presidente Dilma Roussef, a tônica eram os programas de inclusão como o Bolsa Família, Mapa da Fome e o lema “Pátria Educadora”. Uma pauta de inclusão social que o atual presidente sequer abordou.</p>
<p>Aliás o contraponto aos partidos de esquerda foi outro aspecto muito evidenciado pelo novo presidente. Normalmente convivemos com partidos fazendo oposição a governos. Mas dentro deste ciclo, teremos um governo fazendo oposição a um partido. Principalmente ao Partido dos Trabalhadores. O resgate do bordão “a nossa bandeira nunca será vermelha” encerrou o discurso de posse do presidente e é a melhor referência do que o governo Bolsonaro deverá manter no próximo ciclo de quatro anos. Até porque foi a principal plataforma de campanha que o elegeu presidente: o combate ao petismo. E foram várias outras as citações relativas a isso, como a irresponsabilidade administrativa, as relações exteriores baseadas em ideologia, a corrupção e a necessidade do atual governo em reestruturar a pátria.</p>
<p class="big">A única nota que difere os dois discursos, é que na fala proferida à Nação de dentro do parlamento, o presidente evitou falar sobre as articulações políticas. Como deputado de sete mandatos na Câmara dos Deputados, Bolsonaro se esforçou em criar um laço de proximidade com a classe política, dizendo que estava “casando com os parlamentares” e que estava precisando destes políticos para aprovar as reformas estruturantes. Mesmo que não tenha citado que reformas seriam estas.</p>
<p class="big">Já no Parlatório, quando o presidente discursa ao povo, Bolsonaro utilizou de boa parte do seu tempo de fala para afirmar que seu governo que foi construído por indicações técnicas, sem alianças partidárias e sem as trocas de espaço por poder. Ou seja, aquilo que ele omitiu diante dos deputados e senadores, foi ressaltado em alto e bom som para a plateia que estava na Praça dos Três Poderes.</p>
<p class="big">Obviamente o novo presidente estava diante de um Congresso Nacional antigo, já que os parlamentares da nova legislatura só assumem no dia 1º de fevereiro. E aí um enorme desafio: poder encaminhar as proposições do governo como as tais reformas estruturantes, que na maioria dos casos, por tramitarem por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) precisam ser aprovadas após um longo rito de debate e com quórum qualificado de 2/3 dos parlamentares, tanto no plenário da Câmara, como no Senado.</p>
<p class="big">No dia de hoje conhecemos como pensa o novo governo, por meio dos discursos feitos pelo presidente empossado. A partir de agora temos que acompanhar a prática destes pronunciamentos, por meio da capacidade deste governo atuar politicamente, principalmente na articulação junto ao Congresso Nacional, onde os encaminhamentos são feitos justamente pelas legendas partidárias. A seu favor, Bolsonaro terá a capacidade de ampliar sua base de apoio por meio das mudanças de partido por parte dos políticos e pela sempre presente lua-de-mel que todo governante goza no início de mandato. Tanto com o povo, como o mercado e com a própria classe política.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira</strong> <em>é Master Consultor e diretor executivo da Strattegia Consultoria Política e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos – Regional DF (ABCOP). É articulista e analista político para instituições, corporações e organismos de imprensa nacionais e internacionais. </em></p>
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