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	<title>Dilma Rousseff &#8211; Poder em Rede</title>
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	<description>O Poder em Rede surgiu para trazer uma abordagem diferente sobre a cobertura da política no país através de uma ótica mais analítica. Acesse e veja mais!</description>
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	<title>Dilma Rousseff &#8211; Poder em Rede</title>
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		<title>ESPECIAL: GAME OVER</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2016 16:49:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">O Senado da República &#8211; por 55 votos a 22 &#8211; decretou a admissibilidade do processo de impeachment, com o afastamento imediato de Dilma Rousseff, da presidente da República. A votação foi bastante expressiva, já que para esta etapa do processo, bastaria apenas uma maioria simples de 41 votos (metade mais um dos 81 senadores), demonstrando que os parlamentares da câmara alta do país, já poderiam oferecer uma votação qualificada, onde são exigidos 2/3 dos votos, para o afastamento em definitivo da presidente, diante da comissão processante que será instalada.</p>
<p class="big">Obviamente estamos falando de política, onde as coisas podem mudar com relativa facilidade. Mas é importante lembrar que tanto a votação na Câmara dos Deputados, como no Senado, se deram com a presidente em pleno exercício do poder, promovendo forte articulação junto aos parlamentares, com o peso da caneta e do Diário Oficial da União. Agora o prazo de até seis meses em que o impeachment precisa ser julgado pelos senadores, sob o comando do presidente do Supremo Tribunal Federal, ela estará afastada de suas funções, sem poder nomear e liberar recursos e tendo a sua imagem, sua influência e sua capacidade de exercer poder, posta à sombra do presidente que assume.</p>
<p class="big">Esta troca de cadeiras no principal e mais cobiçado posto do país, deve desencadear uma onda de demissões/exonerações e nomeações que vão dar a cara da nova administração proposta pelo presidente Michel Temer. Todos os ministros nomeados por Dilma já foram exonerados por ela mesma. Com a nova posse de Temer, assume imediatamente seu staff ministerial. A partir daí, todas as atenções da cobertura política do país, se votam sobre como o novo governo vai enfrentar a situação de ampla crise política e de intensa recessão econômica, em que o Brasil se encontra. E todo noticiário que caberá a Dilma, será de sua inserção como ré junto a comissão processante do impeachment que segue no Senado da República.</p>
<p class="big">Voltar a ocupar o Palácio do Planalto é, como posso dizer, “matematicamente” possível. Porém, pouco provável. Principalmente diante de tantas derrotas sofridas na Câmara, no Senado e no Supremo Tribunal Federal. Sua única alternativa é que nos próximos meses o governo do vice que assume, não consiga imprimir na sociedade, no meio empresarial e nos mercados financeiros, as condições necessárias para mudanças.</p>
<p class="big">Para isso, Michel Temer deve utilizar uma ferramenta que ele conhece bem e sua antecessora muito desprezou nas duas gestões: uma ampla articulação com o Congresso Nacional. Deputado federal constituinte, já presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes e conhece como poucos as engrenagens do poder. Tanto que no primeiro ano do segundo mandato do governo Dilma, foi escolhido por ela para fazer a interlocução com os parlamentares, diante do período das “pautas-bombas” aprovadas pelo colega de partido, Eduardo Cunha.</p>
<p class="big">Além da forte articulação política, Temer conta a seu favor com o comando do partido que emprestou a governabilidade a diversos presidentes. O PMDB sempre teve influência e destaque nas gestões desde Itamar Franco, que também foi alçado à presidência do país, após o impeachment do então presidente Fernando Collor. Depois de 24 anos, o partido volta a assumir o papel principal. Curiosamente Michel Temer, Itamar e Sarney assumiram a presidência do país pelo PMDB, sem ser como cabeça de chapa para presidente em suas eleições.</p>
<p class="big">Da mesma forma como Itamar, Temer sabe que não pode nem errar ou mesmo tergiversar. Sua principal missão é não deixar saudade ou arrependimento no debate social, com relação ao afastamento de Dilma Rousseff. Isso passa pelo reaquecimento da economia e do combate ao desemprego, bem como da votação de matérias importantes no Congresso Nacional, que permitam pavimentar estes caminhos. </p>
<p class="big">Assim, o retorno dela dependerá muito mais do desempenho dele como presidente, do que uma eficaz defesa feita em favor de Dilma, na comissão processante no Senado da República. O impeachment é sempre um julgamento político, com um rito jurídico. Dessa forma, os senadores vão passar a julgar a questão muito mais pela balança comparativa se era melhor com Dilma, do que com Temer. Somente esta questão pode mudar a balança dos votos contabilizados neste dia 12 de maio de 2016.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>ESPECIAL: Domingo é dia de clássico</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2016 16:46:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Impeachment]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Não importa o resultado, domingo é dia de jogo disputado entre as maiores torcidas do país. Não estou falando de Vasco X Flamengo ou Palmeiras x Corínthians. Mas dos times que vão disputar se a atual presidente Dilma Rousseff deixa ou não o cargo de presidente da República.</p>
<p class="big">Todos os ingredientes de um grande clássico estão presentes. Em primeiro lugar o campo onde vai ser disputado esse jogo: o Plenário da Câmara dos Deputados. De um lado o time dos que vão lutar para ver o impeachment aprovado. Do outro lado, os que vão fazer de tudo para barrar esse processo.</p>
<p class="big">No time dos que apoiam o impeachment da presidente, temos como cartola o vice-presidente, Michel Temer, que pode se tornar presidente; e de outro lado a atual titular da função, Dilma Rousseff, lutando para não cair. Cada um com seu técnico: Lula conduzindo as negociações para conseguir votos suficientes para barrar o impedimento; e de outro, o presidente da Câmara com a prerrogativa de conduzir os ritos da votação até este domingo.</p>
<p class="big">Tem também o juiz. Neste caso, vários juízes, representados pelos magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a diferença de que já começaram a apitar esse jogo há bastante tempo. Muitos querendo aparecer mais do que os próprios jogadores em campo, com as tradicionais interferências do judiciário no legislativo.</p>
<p class="big">Em campo os deputados pró e favor do impeachment, que já discursam desde sexta-feira da tribuna da Casa suas defesas e traçam nos bastidores, as suas jogadas de ataque. Tem entre os jogadores, os que já definiram camisa, mas existem também uma cota de paramentares que ainda não escolheram pra que time vão jogar. Uma estratégia de valorizar o passe ou medir a força das torcidas nas ruas. </p>
<p class="big">Para acompanhar tudo isso um batalhão de jornalistas credenciados e analistas prontos para narrar os acontecimentos dentro de campo e principalmente fora dele. Pois política se joga muito fora das quatro linhas. Neste grupo, o Poder em Rede está presente, acompanhando todos os fatos. </p>
<p class="big">Nem mesmo a torcida ficou de fora. Graças a uma estratégia estranha traçada pelo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, o gramado em frente ao Congresso Nacional foi transformado em arquibancada, onde torcidas ficarão separadas por um muro de contenção. Só esperamos que nas imediações do estádio&#8230;digo, Esplanada dos Ministérios, as torcidas possam manter a linha e evitar confrontos físicos. </p>
<p class="big">Afinal é a festa da democracia. Estarão assegurados ampla cobertura, transparência e liberdade para que torcedores de ambas as tendências possam acompanhar o jogo e se expressarem. </p>
<p class="big">Somente um adendo importante quanto ao resultado. Não esquecendo os 7 a 1 que o Brasil levou da Alemanha na última copa, pode até ser que o placar se repita, com muitos mais votos pró-impeachment do que contra. Mas o time que quer manter o poder, pode perder por muitos votos, desde que assegure 171 pontos dos 513 disponíveis no placar. Nessa estratégia vale até não colocar em campo todos os jogadores e pôr de plantão o departamento médico, para dar atestados de ausência para aqueles que não querem se comprometer com o jogo ou o resultado.</p>
<p class="big">É esperar para ver. Neste ponto o futebol e a política se encontraram e dessa forma, desejo que após este grande clássico, um passe a ser tão próximo da vida das pessoas quanto o outro.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>A falta de um líder</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Mar 2016 16:40:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Impeachment]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Desde que criei o Poder em Rede, procurei sempre tratar com muita cautela o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mantendo-o fora dos artigos e análises ofertados aos nossos leitores. A razão é muito simples: o assunto era, até então, muito mais especulação, paixão e porque não, assunto de polícia e não de política. Foi assim, quando do julgamento do mensalão e assim se manteve, até que os mais diversos indicadores apontassem para uma situação real de que o Brasil, pudesse, de fato, voltar a trocar novamente um presidente da República.</p>
<p class="big">De certo, vou abordar o tema, dentro do prognóstico de que venha a desagradar, bastante, tanto os apoiadores da iniciativa, quanto os que são contrários à proposta de impedimento da presidente da República.</p>
<p class="big">Em junho do ano passado, aqui no Poder em Rede, escrevi um outro artigo falando sobre a convergência do país, pelos indicadores negativos, que saíram do universo macroeconômico e foram parar na geladeira da população. Brasileiros de todas as classes sociais, que viram sua renda cair, a inflação subir e os níveis de desemprego dispararem, fruto do impacto brutal sofrido pelo setor produtivo do país. Ali alertávamos sobre como o Brasil dividido pós-eleição, poderia se unificar contra o governo, a medida que se consolidava um cenário de plena recessão.</p>
<p class="big">Pois bem, passados nove meses, o governo não conseguiu gestar um novo ciclo de retomada e ainda viu agravada a sua permanência à frente da Presidência da República, turbinada com as denúncias da Operação Lava-Jato, que já frequentam os bastidores dos Palácios na capital do país. As diversas tentativas de se criar uma chamada pauta-positiva e de reformas que pudessem tirar o país do atoleiro, foram combatidas pelo fogo-amigo do próprio partido da presidente, o Partidos dos Trabalhadores (PT), que sempre criticou os ministros da Economia escolhidos pela Dilma, a política econômica adotada pelo governo, bem como as propostas elaboradas, como a reforma da Previdência e a recriação da CPMF.</p>
<p class="big">Combatida internamente e vendo seu isolamento crescer junto à base de sustentação no Congresso Nacional, a pauta econômica foi posta literalmente de lado, para outra menos ortodoxa, de simplesmente manter a presidente no cargo até 2018. Neste novo projeto, a tentativa de conexão com as ruas já foi abortada há muito tempo. Principalmente porque os indicadores da presidente não evoluíram nos últimos anos. A faixa de aprovação de Dilma, que em julho/15 estava em 10% pelo Instituto Datafolha e que chegou a crescer para 12% em dezembro/15, volta para os mesmos 10%, no último levantamento de março/16. Com o agravante de que os índices de reprovação passaram, no mesmo período, de 63% para 69%.</p>
<p class="big">Mas com tantos problemas, por que ainda a presidente se mantém no poder?</p>
<p class="big">Primeiro porque o processo é assim mesmo. O rito do impeachment tem um trâmite específico tanto na Câmara dos Deputados, como também no Senado da República. Soma-se a isso o constante processo de judicialização do fato, que tornou os Supremo Tribunal Federal, em anteparo e termômetro para todas as questões em que situação e a oposição discutem o tema. </p>
<p class="big">Segundo e mais importante, porque aqueles que defendem a substituição da atual presidente da República, ainda não foram capazes de apresentar para a nação, uma nova liderança, que além de subir a rampa, também faça o país retomar o caminho do desenvolvimento. </p>
<p class="big">Este para mim é o assunto mais grave. Não basta querer trocar a presidente, tem que apresentar alguma alternativa clara de poder, para que a população embarque tranquila neste processo de alternância. </p>
<p class="big">Nunca é demais lembrar que vivemos em uma democracia representativa. Por ela, o povo elege, através do voto, os representantes que vão tomar decisões em nosso nome. Assim, temos o hábito de votar em pessoas. Não em partidos ou ideias. Principalmente com a proliferação de agremiações políticas, quase nenhuma delas com ideologias próprias que possam encantar a população. Aliás, só para efeito de registro, a Presidência da República, o Congresso Nacional e os partidos políticos são as instituições com menor índice de credibilidade junto à população, segundo o próprio Datafolha, em pesquisa realizada em julho do ano passado. </p>
<p class="big">Há sim &#8211; e não é de hoje &#8211; uma completa falta de competência por parte dos partidos de oposição que querem ascender ao poder, em dar um rosto para tal alternativa. Lembremos que o Brasil passou do “mensalão” para o “petrolão”, sem que essa liderança fosse construída e apresentada ao povo de maneira definitiva. Tanto é assim, que neste período, os grandes nomes da República foram o ministro Joaquim Barbosa – que cuidava do julgamento do mensalão – e agora o Juiz Sérgio Moro – que conduz as investigações da Lava-Jato. </p>
<p class="big">O primeiro chegou a ser considerado como o segundo cabo eleitoral mais importante do país, onde um em cada quatro brasileiros declararam que votariam em um candidato indicado por ele. O próprio Joaquim Barbosa chegou a rivalizar em 2014, nas pesquisas com a presidente Dilma em São Paulo, com 40% a 41%. No país, foi lembrado por 15% dos eleitores, contra 14% de Aécio Neves. O fenômeno se repete agora com Sérgio Moro, que aparece na última pesquisa Datafolha de março/16, com 8% das intenções de voto, contra 14% de Aécio Neves, 17% de Lula e 17% de Marina Silva. Lula e Aécio estão em queda, já que tiveram seus nomes envolvidos em delações premiadas da Lava-Jato e Marina Silva vive uma completa ausência no debate político atual.</p>
<p class="big">E qual o problema disso? Nem Joaquim Barbosa, nem Sérgio Moro são políticos e pertencem a um partido. Porém, pela ineficiência do sistema político-partidário do país, acabam preenchendo essa lacuna.</p>
<p class="big">Lembro sempre que não existe vácuo em política. Se você não o ocupa adequadamente, alguém o fará em seu lugar. Neste caso, o povo que está saindo as ruas, acaba fazendo isso. Porém, não vejo probabilidade de nenhuma de que um ou o outro togado, saia para disputar o próximo pleito. Ou antes disso, ter condições de assumir o posto de presidente da República, em virtude de um exitoso processo de impeachment, já que não há fórmula possível para isso dentro da Constituição do país.</p>
<p class="big">Enfim, as oposições e simpatizantes do afastamento da presidente da República vão precisar se debruçar e acordar, nos limites estabelecidos pela Constituição, para que alguém seja apresentado como aquele que vai comandar esse processo de resgate. Não há nada de novo nisso. Quando Fernando Collor passou pelo mesmo processo, as oposições trataram de apresentar com celeridade, o vice Itamar Franco, como a alternativa viável. </p>
<p class="big">Nos cenários de hoje, o próprio vice-presidente Michel Temer, pode se tornar carta fora do baralho, caso o processo de substituição se dê pela via da cassação da chapa presidencial nas eleições de 2014, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enfim, enquanto não houver esse consenso construído, o povo que voltou a sair em massa às ruas, corre o risco de ver sua mobilização se arrefecer, da mesma forma como aconteceu em 2015.</p>
<p class="big">Sabendo da importância de se ter um líder de referência, o Partido dos Trabalhadores e o próprio governo Federal, já trabalham com a possibilidade de retomar o comando do país, pelas mãos do ex-presidente Lula, que vive seu drama de ser ministro e investigado na mesma Operação Lava Jato. Neste fundamento, o Palácio do Planalto tem sido mais competente que as oposições para tentar barrar o processo de impeachment e tentar, com isso, ganhar tempo, articular com deputados e senadores um ambiente mínimo que permita levar essa disputa para 2018, com Lula candidato novamente à presidência. </p>
<p class="big">Afinal, os brasileiros não querem só mudança, mas um líder que as promova. Caso contrário, podem simplesmente não migrar de um barco para outro. Enquanto isso o Brasil segue em meio a muitas incertezas e especulações, no aguardo de quem possa assumir ou manter o poder.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>Um ano perdido</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2015 09:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">2015 foi um dos anos mais intensos no campo político, porém muito pobre no sentido de produzir meios para melhor gerenciar a vida das pessoas. Todas as expectativas que haviam na transição de 2014 para 2015 foram adiadas, com muita restrição, para 2016 ou mesmo para 2017. Aliás, a palavra que mais define o cenário para o ano que chega é desconfiança.</p>
<p class="big">A sensação é de que passamos os últimos 365 dias em um samba de uma nota só: crise. Ela que estava escondida nos indicadores macroeconômicos no segundo semestre de 2014, chegou com tudo na geladeira e bolsos de brasileiros, de todas as camadas sociais, quando 2015 se iniciou. </p>
<p class="big">De Norte a Sul do país passamos a ver governadores e uma presidente recém-eleitos tendo que mudar seus discursos de campanha e esconder suas promessas mirabolantes, para, em coro, entoar a falência generalizada da máquina pública. </p>
<p class="big">E assim vai começar 2016. O discurso da falta de dinheiro ainda é o mesmo. Bem como as soluções pouco criativas destes gestores que também possuem a mesma fórmula para enfrentar os problemas de caixa: pagar a conta da gastança generalizada do passado, com o esforço e suor do cidadão, por meio do aumento de impostos. </p>
<p class="big">Muitos governadores com bases bem restritas de apoio nas assembleias legislativas tiveram e ainda têm problemas para fazer isso em suas unidades da federação. Exemplo do governador do DF, Rodrigo Rollemberg, que possui pouca interlocução e menor ainda base de apoio entre deputados, para implementar medidas dessa natureza. Os parlamentares não querem assumir este ônus junto aos eleitores.</p>
<p class="big">No plano federal a situação é muito similar também, principalmente quando o assunto é a aprovação do retorno da CPMF em um cenário agravado por uma crise político-institucional. Aliás, não seria demais dizer que 2015 começou com uma crise econômica gerando uma crise política e que agora é justamente a crise política que está nutrindo a crise econômica.</p>
<p class="big">Uma das principais razões para isso são o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff que vai entrar com tudo na avenida em 2016, bem como a difícil reconstrução de uma base de apoio no Congresso Nacional, que passa por um PMDB dividido. Uma situação muito complexa, alimentada com rotineiras notícias de corrupção oriundas da Operação Lava-Jato.</p>
<p class="big">Enfim, o que muito vimos em 2015 foram as páginas de políticas serem primeiramente ocupadas pela editoria de Economia e posteriormente pelo noticiário policial. Isto de fato, não é nada bom. Afinal a política precisa ter o seu caminho para gerar meios de transformar positivamente a vida dos cidadãos.</p>
<p class="big">Talvez a grande novidade de 2016 é que além de todos os assuntos velhos que desembarcam de 2015 para o Ano Novo, é que será tempo de eleições para prefeitos e vereadores. Justamente aqueles que tem a responsabilidade de cuidar mais de perto das pessoas. Pois é na cidade que o cidadão está mais próximo do poder e da política.</p>
<p class="big">Com isso, talvez não seja o mês de janeiro o que fique mais reconhecido para começar este processo de mudanças. Se caso escolhermos melhor, pudermos trazer melhores gestores públicos, então outubro pode assumir este papel em permitir que os eleitores possam fazer suas escolhas naqueles que não vão fazer muitas promessas para pedir o seu voto; e depois de eleitos, pedir o seu dinheiro para pagar a conta. </p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>A difícil danças das cadeiras</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2015 09:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no DF]]></category>
		<category><![CDATA[congresso nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Vejo, Brasil afora, diversos chefes de executivos realizando mudanças no primeiro escalão de seus governos. Os exemplos são muitos: seja nas prefeituras de Garanhuns/PE ou de<span class="excerpt-hellip"> […]</span></p>
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]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Vejo, Brasil afora, diversos chefes de executivos realizando mudanças no primeiro escalão de seus governos. Os exemplos são muitos: seja nas prefeituras de Garanhuns/PE ou de São Paulo/SP; nos governos de Santa Catarina e do Distrito Federal, ou mesmo no Palácio do Planalto, que recentemente recompôs seu time de ministros. </p>
<p class="big">Em jogo, a tentativa de reorganizar a base política de apoio, principalmente diante das necessidades enfrentadas junto às casas legislativas. A questão é que reformar ministérios ou secretarias é tão arriscado quanto trocar a roda de um carro em pleno movimento. </p>
<p class="big">Quando o prefeito, governador ou o presidente estão recém-eleitos, dispõe do tempo da transição para realizarem as articulações com as forças que o elegeram e com os partidos que irão compor sua sustentação para o decurso do mandato, a partir do momento da posse. Ou seja, dispõem de todo o prazo para projetar e desenvolver sua melhor máquina de governabilidade, escolhendo as pessoas certas para fazê-la funcionar. Uma realidade até mesmo para aqueles que disputam a reeleição e podem utilizar este mesmo prazo, para revitalização dos seus quadros, diante de um novo período de governo. </p>
<p class="big">Depois que esta máquina é posta para rodar, as implicações com relação a mudanças no staff passam a ter um outro critério de percepção por parte da sociedade e dos formadores de opinião. Principalmente quando as alterações são extensas e envoltas de muita expectativa.</p>
<p class="big">Vejamos por exemplo a reforma ministerial feita pela presidente Dilma Rousseff. Em meio a graves crises econômica e política, que podem abrir caminho para um provável pedido de impeachment, Dilma anunciou no último dia 02 de outubro a composição do seu novo ministério. O desfecho aconteceu com nove dias de atraso e com redução das pastas em menor número do que esperado.</p>
<p class="big">O novo rearranjo na Esplanada dos Ministérios começou a ser tratada com maior propriedade no dia 07 de agosto, quando o governo federal sofreu outra derrota no plenário da Câmara dos Deputados, por conta da aprovação do reajuste salarial para os advogados públicos e outras carreiras. Dois dias depois, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Bez, foi a público para tentar desmentir o que todos os partidos já vazavam em off pela imprensa há mais de 48 horas.</p>
<p class="big">Em se tratando de crise política e a tentativa de agradar uma base maior de partidos que votem a favor dos projetos de interesse do governo federal, a dificuldade da equação é fazer mudanças e cortar pastas em um ambiente em que quem está não quer sair e quem está de fora quer entrar.  Tanto que a data do anúncio, incialmente agendada para acontecer dia 24 de setembro, às vésperas da viagem para a Conferência da ONU, só ocorreu nove dias depois e com a redução de somente oito ministérios, diante de uma expectativa inicial entre 10 e 12 pastas. </p>
<p class="big">O pior foi, após a recomposição do primeiro escalão, o governo ter que amargar nova derrota no parlamento, por não conseguir quórum para votar os vetos presidenciais. Além disso, o PMDB – maior agraciado com a reforma – perdeu a hegemonia na Câmara dos Deputados, após ter sido isolado pelos partidos PP, PTB, PSC e PHC, que criaram um novo bloco com 82 deputados, em represália por não terem sido contemplados na mudança feita pelo Planalto.</p>
<p class="big">A reforma mais recente realizada por um governo aconteceu na última quinta-feira, em plena capital do país. Com problemas similares nas finanças e de baixo apoio no Câmara Legislativa, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, anunciou a composição do seu novo secretariado.</p>
<p class="big">O resultado, diante do quadro inicial em que se deu a expectativa da reforma, foi muito tímido. Primeiro que os cortes anunciados no número de secretarias, focado no discurso da redução de despesas por parte do governo, acabou se tornando mais um truque do que uma fonte de economia. Isso porque, de fato, as secretarias não foram extintas, mais fundidas ou incorporadas a outras pastas.</p>
<p class="big">O efeito imediato dessa medida é que o Palácio do Buriti acabou instituindo no DF, secretários de diversas patentes. Os subsecretários, que eram secretários de pastas que foram incorporadas por outras; os secretários, que continuam a comandar pastas especialistas e os super-secretários, que governam as secretarias que passaram a aglutinar outras áreas de governo. </p>
<p class="big">Outra questão relevante na reforma realizada pelo GDF, é que o governador precisou varrer para debaixo do tapete, o discurso da “nova política”. Sem nenhum parlamentar eleito e com problemas de interlocução com a Câmara Legislativa, Rollemberg precisou negociar os cargos por troca de apoio junto aos partidos políticos e sofreu a pressão para atender aos interesses da base de apoio. </p>
<p class="big">Ouviu do presidente do PSD no DF, deputado federal Rogério Rosso, que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico não deveria ser extinta ou fundida e que ela continuaria no comando do partido. Acabou, no final, se fortalecendo com a incorporação da pasta de Turismo. Ouviu do deputado distrital do PDT, Joe Valle, a pressão por não extinguir ou fundir a secretaria de Agricultura. Além de ter o seu pleito atendido, foi prestigiado com o cargo de super-secretário da pasta de Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.</p>
<p class="big">Entre os que ficaram descontentes, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Júlio César (PRB), reclamou publicamente que a reforma não atendeu aos interesses dos partidos que apoiam o governo nas votações em plenário. Porém, a maior crítica veio do próprio partido do governador, o PSB, que teve sua representação diminuída no primeiro escalão do governo. Fato que levou ao presidente da legenda, Marcos Dantas, a se licenciar do posto. Dantas assumiu a Secretaria de Mobilidade do DF. </p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>Reunificando o país pelo caminho errado</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2015 09:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Datafolha]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Em tempos de crise uma das coisas que mais se proliferam são as estatísticas. É número de tudo quanto é jeito para tentar desvendar o que está havendo e o que nos reserva o futuro. Em meio a um emaranhado de pesquisas e levantamentos que são despejados na mídia diariamente, três destes procurei separar para, com o auxílio da economia, tentar compreender a dinâmica do cenário político atual.</p>
<p class="big">No primeiro deles, realizado pelo IDC, mostra que o segundo trimestre do ano deve fechar com queda de 12%, com relação ao mesmo período do ano passado, na venda de celulares inteligentes, conhecidos como smartphones. É a primeira queda em sete anos, desde que este mercado vem se desenvolvendo no país, frustrando uma expectativa anterior de crescimento de 5% para o período analisado. Ou seja, 5 milhões e 500 mil smartphones que deixarão de ser adquiridos ao longo do 2015.</p>
<p class="big">No segundo apontamento que trago a discussão é de que o consumo de cimento no país para este ano deve registrar uma queda entre 10% a 15%, com relação ao ano passado. Se isso se concretizar, deverá colocar o patamar de vendas como o mais baixo desde 2004. Ou seja, o menor em mais de uma década. Os dados oficiais divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), só deverão ser conhecidos mais para frente, pois o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) exige que estas informações só sejam divulgados com seis meses de atraso. Poderão ser 11, 7 milhões de toneladas de cimento a menos no consumo interno do país.</p>
<p class="big">Por fim, o mercado de planos de saúde registrou no primeiro trimestre de 2015, uma perda de 10,6 mil usuários, segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge). É a primeira vez que se registra uma queda no mesmo período desde 2005.</p>
<p class="big">Pelos indicadores trazidos à discussão, nota-se que o Brasil divido pós-eleição de 2014, entre pobres e ricos, Norte-Nordeste Sul-Sudeste, está se convergindo pelo advento da perda da capacidade generalizada de consumo e renda. A mesma crise que atinge o segmento de itens de desejo, destinada aos estratos de itens consumo mais elitizados, como os smartphones, também alcançou a nova classe média emergente, que está revendo seus orçamentos e trocando as despesas com planos de saúde pelo atendimento na rede pública gratuita, em virtude dos riscos de desemprego e aumento da inflação.</p>
<p class="big">Este fantasma se visualiza na retração da demanda do mercado de cimento, que está ligada ao setor da construção civil, que é forte empregadora de mão de obra, mobiliza uma cadeia produtiva igualmente significativa, além de servir como termômetro da economia. Menos consumo de cimento, menos obras sendo realizadas, menos empreendimentos imobiliários sendo colocados no mercado, menos postos de trabalho sendo mantidos pelo setor.</p>
<p class="big">O sintoma desta conjuntura econômica negativa acaba tendo direto relacionamento com a conjuntura política nacional, refletindo principalmente, nos indicadores de aprovação do atual governo. Por isso que o levantamento CNI-Ibope feito no final do mês de junho, registrou em um dígito (9%), o menor patamar de aprovação da presidente Dilma, com a maior rejeição (68%) de um Presidente da República, em três décadas.</p>
<p class="big">O levantamento do CNI-Ibope é muito similar ao que o Instituto Datafolha realizou também no final do mês de junho, quando a aprovação da presidente assinalou a marca de 10%, com 65% de rejeição, revelando que independente da metodologia de pesquisa adotada pelos dois institutos, os resultados são muito próximos. “Dentro da margem de erro”.</p>
<p class="big">Além da semelhança dos dados, o que mais denota essa convergência de sentimentos é a leitura da estratificação das opiniões por regiões e classes sociais. Nas camadas sociais com renda acima de 10 salários mínimos, a taxa de aprovação da presidente Dilma é de 12% e a de reprovação de 66%. Nas rendas até 2 salários mínimos, o indicador favorável é de 10% e de rejeição de 62%.</p>
<p class="big">Quando olhamos o país distribuído por regiões, a situação também não é muito diferente. Os piores indicadores presidenciais estão no Sudeste com 7% de aprovação e 69% de rejeição e nas regiões que mais contribuíram com a eleição de Dilma em 2014, o Norte apresenta aprovação de 11% e rejeição de 63% e o Nordeste, aprovação de 14% e rejeição de 58%. Completam a lista a Região Centro-Oeste com rejeição de 70% e aprovação de 9% e Sul com 11% de aprovação e 63% de aprovação.</p>
<p class="big">O que se percebe é que a imagem do Brasil polarizado que saiu das urnas no ano passado, começa a dar ares de uniformização, fortemente alicerçada pela crise econômica que atingiu a todas as classes sociais, demonstrando a intima ligação que o sentimento popular desenvolve com o bolso. Se há espaço para reversão do quadro? Dilma ainda possui 3 anos de ½ de mandato e está claro que precisa devolver para o povo e ao setor produtivo nacional, as condições ideais de crescimento, geração de emprego e ampliação da renda das famílias.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>O Fantasma dos 100 dias</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2015 09:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Este final de semana foi marcado pela avaliação dos 100 dias dos governos, tanto na esfera federal, como na gestão dos estados e do DF. Os veículos de imprensa dedicaram boa parte de suas pautas para avaliar os aspectos positivos e negativos destes mandatários, com o apoio de analistas, jornalistas e profissionais que atuam no campo da política. Eu mesmo fui demandado para participar de algumas destas entrevistas.</p>
<p class="big">Para os poucos que tinham algo a apresentar de positivo, a possibilidade de ocupar esse precioso espaço com suas realizações iniciais da gestão. Para a grande maioria criticada pela mídia, a preocupação e o esforço de colocar para fora do alcance do mandato, os motivos pelos baixos ou negativos resultados obtidos até o presente momento. Em boa parte das justificativas apresentadas, a de que ainda não houve tempo para os governantes implementarem suas marcas, que aproximem as promessas de campanha, da realidade do mandato.</p>
<p class="big">Citando um exemplo prático, vimos na alçada do Governo Federal, a situação econômica restritiva no país, aliada aos casos de corrupção na Petrobrás, colocadas no centro das avaliações do governo da presidente Dilma Rousseff, que a levou para indicadores de aprovação popular, no patamar de 12% a 13% segundo os alguns dos principais institutos de pesquisa. Para a oposição uma responsabilidade direta do Palácio do Planalto. Para a situação, reflexos de uma conjuntura mundial ainda de crise e de esforços do governo em combater a corrupção na maior empresa nacional.</p>
<p class="big">Neste embate, meu objetivo não é encontrar quem está certo ou errado. Porém, fica a sinalização de que os 100 dias de mandato, são sim, um destes principais momentos para avaliar o desempenho de governadores e do presidente da República. Primeiro porque o número é mentalmente atraente e de fácil assimilação por todos. Segundo, porque representa 1/12 avos do tempo total do mandato. Sob esta ótica, é até bastante tempo.</p>
<p class="big">Não dá para aceitar que estes chefes dos executivos tentem emplacar a desculpa de que não houve tempo suficiente para “conhecer a realidade das suas máquinas administrativas”. Até porque, todos foram eleitos há pelo menos seis meses e passaram por governos de transição, nos casos em que não houve reeleição.</p>
<p class="big">Mas de toda sorte, lembro a todos que ainda dá tempo. A população sim, está mais vigilante, mas a marca dos 100 dias traz também a tônica da tolerância, que deve diminuir quando cada um ultrapassar os seis meses, um ano ou metade do mandato. Após, este período, se a aprovação estiver crítica, dificilmente vai ser possível construir a imagem de um mandato de realizações e de um político de sucesso. Enfim, nada de deixar as boas novas para o último ano.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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		<title>Pimenta nos olhos dos outros</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2015 09:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Bandeira]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Dia do Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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				<content:encoded><![CDATA[<p class="big">Nos últimos dias o Partido dos Trabalhadores e o Palácio do Planalto andaram se estranhando. O motivo foi o tipo de manifestação que o Governo Federal deveria adotar, em comemoração ao 1º. de Maio – Dia do Trabalho. O PT defendia ser esta uma ótima oportunidade de convocar uma cadeia nacional de rádio e TV para falar principalmente da posição que o executivo tem em relação ao projeto de lei que trata da terceirização, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados.</p>
<p class="big">Já o Palácio do Planalto nem de longe quis saber de voltar a ocupar os televisores dos brasileiros, depois da última experiência que gerou um panelaço nas principais cidades do país no dia 08 de março e uma onda de mobilização nas ruas, com discursos contrário do governo e ampla cobertura da mídia. Mesmo com a mobilização de 12 de abril sendo menor que a de 15 de março, a avaliação é de que a população ainda está em alerta e uma nova fala da presidente Dilma, poderia voltar a esquentar os ânimos da população e alimentar uma nova mobilização.</p>
<p class="big">Do ponto de vista estratégico, acerta o Palácio do Planalto em buscar outros meios de se comunicar para a população neste instante. No caso, utilizando as redes sociais, para falar diretamente com a militância e os apoiadores da presidente. Aliás, será a primeira vez que Dilma não vai se pronunciar em cadeia de rádio e TV no Dia do Trabalho. Mas é muito melhor prevenir, do que remediar uma situação de crise de imagem.</p>
<p class="big">A justificativa oficial da secretaria de comunicação do Palácio do Planalto é que é preciso valorizar outros modais de comunicação e que as redes permitem dialogar com a sociedade, o que a TV não faz. Obviamente este discurso só deve se estender até que os indicadores de satisfação do governo e da presidente voltem a subir.</p>
<p class="big">Quando ao PT, resta se conformar. Afinal, é muito cômodo criticar uma situação, onde quem tem que colocar a cara para bater não é o partido. E somente quem já apanhou, sabe o quanto dói.</p>
<p class="big"><strong>Alexandre Bandeira,</strong></p>
<p class="big"><em>Consultor Político</em></p>
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